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RBCC completa quatro anos com conquistas e avanços em Ciência Cidadã

A Rede Brasileira de Ciência Cidadã (RBCC) foi criada em 2021 e é parceira do Instituto Nacional de Ciência CIdadã (INCC)

Por Gabriel Domingos

“Até nos surpreendemos com o fato de já terem se passado quatro anos”, Sheina Koffler, bióloga, doutora em ecologia, e integrante do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ciência Cidadã (INCC), foi uma das fundadoras da Rede Brasileira de Ciência Cidadã (RBCC), quando os eventos eram online e as pessoas usavam máscaras. Em 2025, mais especificamente no dia 24 de março, a RBCC completou quatro anos de existência.

A rede nasce, naquele momento, para atender a uma série de demandas da comunidade da ciência cidadã, tais como: cursos de formação e divulgação de informações e novidades da ciência cidadã. Um exemplo recente é o curso “Dilemas na Ciência Cidadã”, oferecido pela Universidade Federal do ABC (UFABC), com apoio do INCC e parceria da RBCC, em seis aulas distribuídas entre março e abril e disponíveis na plataforma YouTube:

Foram nove pessoas, as responsáveis por fundar a RBCC. Com diferentes níveis de formação e experiência, os pesquisadores e pesquisadoras que iniciaram a rede tinham como objetivo: “Engajar a sociedade em uma ciência mais relevante, inclusiva e diversa, buscar contribuir para o despertar da consciência crítica na sociedade e catalisar transformações capazes de enfrentar os desafios contemporâneos.”, conta Blandina Viana, professora e pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), integrante do INCC e também co-fundadora da RBCC.

 

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Foram diversas as ações da RBCC no decorrer desses quatro anos, por exemplo: a produção de um número especial do Boletim do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão – Série INMA (Instituto Nacional da Mata Atlântica). E o INMA foi uma importante fonte de inspiração para a RBCC. De lá vieram pesquisadores e pesquisadoras que contribuíram para a fundação da rede, como a Juliana França:

“Esses 4 anos foram tão intensos e prazerosos que, ao mesmo tempo em que parece que nos conhecemos há décadas, também parece que o tempo passou rapidamente, como se fossem apenas 4 meses.”

A pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também co-fundadora da RBCC, destaca as conexões feitas e as trocas de experiências possibilitadas pela criação da rede: “Foi um período de muitos aprendizados, mudanças, adaptações e, principalmente, fortalecimento das ações com a participação ativa da sociedade. Em quatro anos, a RBCC conseguiu unir pessoas inspiradoras, que se dedicam incansavelmente a tornar a ciência mais participativa e inclusiva, encantando e conectando pessoas ao redor do país.”

Também do INMA, veio Eduardo Alexandrino. Trabalhando com ciência cidadã desde 2016, Eduardo conheceu Blandina, com quem teve as primeiras trocas sobre ciência cidadã e foi cooptado por Natalia Lopes para fazer parte da rede. “A RBCC começou a dar um norte para a minha pesquisa. Foi extremamente importante para mostrar que precisamos de uma base, alicerces e planejamento.”, conta Eduardo.

O pesquisador conta das experiências no começo da RBCC e de como se buscou uma proximidade com a sociedade: “Quem mais está fazendo ou aplicando a ciência cidadã? Quais assuntos estão sendo tratados? Como é o contato da universidade com a sociedade? No momento em que nós começamos a RBCC, a gente buscou se organizar para ter essa visão ampla.”, diz. 

PARCERIA COM O INCC

Um dos avanços da RBCC nesses quatro anos é a parceria com o INCC. Uma das ações que se destacou nessa parceria foi a cobertura do 1º Encontro Brasileiro de Ciência Cidadã (EBCC). A equipe do INCC esteve presente, participou de algumas ações, gravou entrevistas e, também, produziu conteúdos para divulgar o evento.

 

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O mais importante da parceria, explica Sheina Koffler, é que o INCC está avançando em pesquisas sobre ciência cidadã que a RBCC tinha como ideia e, agora, o apoio permite a execução das investigações. Para a pesquisadora Blandina Viana: 

“Fazer parte dessa rede significa contribuir ativamente para uma nova forma de produção de conhecimento, mais inclusiva, participativa e diversa. Ao integrar a RBCC, não apenas acompanhamos a evolução da ciência cidadã no país – somos protagonistas dessa transformação”

A pesquisadora foi uma das participantes da 1ª Workshop da RBCC, transmitida online. Naquela oportunidade ela disse: “É como concretizar um sonho que começamos a sonhar lá em 2020”. A construção desse sonho, nos quatro anos que passaram desde então, foi feita com diversas ações, como os três eventos nacionais com pesquisadores e interessados na ciência cidadã. Além disso, foram estruturados os grupos de trabalho da rede e, também, as participações nacionais e internacionais, como na coordenação de grupos de trabalho no Saúde Planetária Brasil (IEA USP) e na International Commission for Plant-Pollinator Relationships (ICPPR), explica Blandina.

O papel dos grupos de trabalho se verifica na elaboração de materiais técnicos, pesquisas e propostas. Natalia Ghilardi-Lopes, vice-coordenadora do INCC, professora e pesquisadora pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e co-fundadora da rede, conta das produções atuais dos grupos: “O GT de Educação (GT3 – Capacitação e Produção de Materiais Educativos) está elaborando um guia brasileiro de ciência cidadã e o GT5 (Pesquisa e monitoramento) está produzindo um artigo de levantamento de estado da arte da ciência cidadã no Brasil. Ainda, o GT1 (Articulação e Sustentabilidade), em parceria com o CNPq, elaborou um guia para orientar o financiamento à pesquisa em ciência cidadã.”

No decorrer dos quatro anos, a Red Iberoamericana de Ciência Participativa – RICAP, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram instituições parceiras da rede. A atuação conjunta possibilitou a troca de experiências e informações, levantamento de dados, desenvolvimento de projetos de pesquisa e diversas ações que constituíram os quatro anos da rede e, também, forneceram apoio para ideias futuras.

Para o futuro, a pesquisadora tem a expectativa: 

“Que a RBCC cresça e, na medida do possível, se profissionalize em aspectos relacionados à comunicação (interna e externa). Que as parcerias com outras instituições também se ampliem (nacional e internacionalmente) e que mais projetos (como o INCC) possam contribuir para as atividades da RBCC”.

Blandina espera que a RBCC fortaleça sua presença no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I). Outro objetivo é apoiar as pesquisas colaborativas e de participação ativa na sociedade e ampliar a atuação nas redes nacionais e internacionais para fortalecer a ciência cidadã.

Juliana acredita que esse fortalecimento permitirá superar novos desafios: “Com o crescimento da rede e a crescente valorização da ciência cidadã, espero que novos desafios sejam superados, novas parcerias sejam formadas e a pesquisa científica, impulsionada pela participação ativa da sociedade, ganhe cada vez mais visibilidade, especialmente nas políticas públicas e nas decisões de fomento e financiamento.“

Já Eduardo falou sobre o INCC e destacou o entusiasmo com a criação do Instituto e as oportunidades de desenvolvimento de pesquisas, sonhadas desde o começo da RBCC. Além disso, ele destaca: “Temos que ouvir continuamente as demandas e encontrar as novidades para o fortalecimento da ciência cidadã no Brasil.”

Nessa semana, o INCC e a RBCC desenvolveram, juntos, ações colaborativas em comemoração aos 4 anos da Rede Brasileira de Ciência Cidadã, confira:

 

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