Na mídia
Publicações recentes
-
INCC abre chamada para duas bolsas de pós-doutorado
10 de fevereiro de 2026O Instituto Nacional de Ciência Cidadã (INCC) está com chamada aberta para duas bolsas na modalidade pós-doutorado (CAPES). Um dos bolsistas irá entregar a Linha 4 – Formação e Educação e o outro fará parte da Linha 7 – Gestão, Articulação e Internacionalização. Ambas as bolsas têm duração de 12 meses, com período de dedicação de 30 horas semanais.
As atividades serão realizadas de forma remota, mas os bolsistas precisarão ter a disponibilidade de viajar para eventuais encontros presenciais do Instituto. O valor mensal da bolsa é de R$5.200,00 (cinco mil e duzentos reais) e as inscrições estarão disponíveis até o dia 20 de fevereiro de 2026.
Acesse o edital completo, confira os requisitos e como se candidatar a cada uma das bolsas na página de oportunidades do INCC: incc.ibict.br/oportunidades
-
Cantoria de Quintal traz dicas para projetos de ciência cidadã em escolas na série “Dicas do INCC”
4 de fevereiro de 2026Curitiba, 06 de fev. 2026. Por Joana Giacomassa de Oliveira, com apoio de Karen Sailer.
Para muitas pessoas, o som do coaxar dos sapos, rãs e pererecas pode ser assustador, afinal, quem nunca ouviu, quando criança, a velha história de que não se mexe com sapo porque vai espirrar um “leite” que pode te deixar cego? A antiga cantiga “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer. Mas que chulé!” também não deixou uma boa imagem para os anfíbios.
Essas são algumas de muitas desinformações sobre os anfíbios que, como conta o biólogo, João Victor Andrade de Lacerda, estão no imaginário popular e tendem a causar repulsa por esses animais. E se eu te dissesse que esse som, tão familiar aos nossos ouvidos, é parte essencial de um projeto de ciência cidadã?
Nesta edição do quadro “Dicas do INCC”, publicado na última sexta-feira (30) nas redes sociais, conversamos com João – nas palavras dele – um apaixonado por anfíbios. João é doutor em Zoologia e mestre em Biologia Animal, integra o Grupo de Trabalho 3 e 5 da Rede Brasileira de Ciência Cidadã (RBCC) e é pesquisador no INMA, onde atua com o Cantoria de Quintal.
O pesquisador trouxe sua bagagem profissional e experiência no projeto e, juntos, chegamos em 6 dicas para projetos de ciência cidadã em escolas. Você pode conferir o material completo aqui:
Ver essa foto no InstagramDurante nossa conversa, comparamos o trabalho de ciência cidadã nas escolas ao de uma equipe esportiva, em que a integração e a participação de todos (treinador, auxiliares técnicos, preparadores físicos, analistas de desempenho médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, massagistas e jogadores) compõem o sucesso do time. Mas antes mesmo da escalação, o primeiro passo – e um dos mais importantes para o sucesso da iniciativa de ciência cidadã em uma escola – é compreender a fundo a realidade do local.
Por isso, a primeira dica é:
Dica 1: Entenda o contexto e realidade do local em que você irá trabalhar:
O bom funcionamento de um projeto de ciência cidadã depende de compreender a fundo a realidade da comunidade (escola, cidade, estado, vila). Tome conhecimento e estude o maior número de informações possíveis sobre, por exemplo, a faixa etária e a realidade socioambiental do público que irá integrar o seu projeto como cientistas cidadãos.
João comenta que, ao trabalhar na sensibilização ambiental com as crianças e introduzir a temática, ele busca sempre falar daquilo que elas já conhecem. Ou seja, trazer exemplos locais, “eu falo dos bichos da Mata Atlântica, em um projeto regional, eu falo regionalmente , incluindo exemplos e curiosidades que são conhecidos para o município em questão”. Coletar o máximo de dados possíveis fará toda a diferença no processo e é essencial ao trabalhar com crianças. “Mas, antes de convencer as crianças sobre a importância do projeto, é preciso convencer o professor”, ressalta o pesquisador. E é aí que entra nossa segunda dica:
Dica 2: Seja sempre parceiro dos professores:
Não apresente seu projeto aos professores como se fosse uma obra acabada. Antes de mais nada, é importante ouvi-los e, juntos, amadurecer a proposta. Professores já possuem agendas bastante sobrecarregadas. Logo, deixe claro que sua intenção não é atarefá-los ainda mais. Pelo contrário, a ideia é tentar entender como seu projeto pode ajudá-los em sala de aula. A interdisciplinaridade também pode promover maior compreensão e engajamento da comunidade escolar como um todo. Ter o professor jogando no seu time é um grande passo para o sucesso do projeto!
Antes de contextualizar a ciência cidadã, é preciso que todos compreendam a temática do projeto. No caso do Cantoria de Quintal, que tem como objetivo o monitoramento acústico de sapos, rãs e pererecas, o primeiro passo é “desmistificar um pouco os anfíbios, falando da diversidade, da importância”, como comenta João. Por isso, preste atenção à terceira dica:
Dica 3: Realize atividades educativas sobre a temática trabalhada:
Antes de falar sobre ciência cidadã, a teoria e importância da temática trabalhada deve ser compreendida por todos, especialmente ao tratar de questões ambientais com crianças. Atividades de sensibilização e educação ambiental são essenciais e devem ser contínuas.
Esse é o momento de construir uma relação com as crianças, explicar as particularidades e singularidades do objeto de pesquisa. Os anfíbios são importantes na manutenção do equilíbrio ambiental, controle de pragas e vetores de doenças e muitas espécies são bioindicadores de qualidade ambiental, pelo fato de serem animais muito sensíveis e dependentes tanto do ambiente terrestre, quanto aquático, bem conservados.
A próxima dica também fala sobre o trabalho com as crianças. Para despertar a curiosidade, o interesse e, posteriormente, o engajamento, fuja da rotina tradicional, mas sem perder de vista a dica 2: tudo de acordo com o programa de ensino e orientações dos professores!
Dica 4: Fuja da rotina tradicional de ensino
Apesar de ser “coisa séria”, fazer ciência pode sim ser bastante divertido. Em todas as etapas do projeto, especialmente em escolas, despertar interesse e curiosidade pode ser mais fácil através de atividades artísticas, músicas, vídeos, sons, imagens, brincadeiras e gincanas, por exemplo.
Com o projeto já em andamento, levando em consideração as dicas anteriores, outro ponto essencial é o protocolo de ciência cidadã que será utilizado. Neste momento, é importante lembrar que cada iniciativa é singular e os protocolos podem ser co-construídos ou não, a depender do tipo de projeto e suas possibilidades. No Cantoria de Quintal, entendeu-se que um protocolo simples gera maior proximidade e eficiência.
Dica 5: Opte por protocolos simples e eficientes
Protocolos estruturados e mais complexos costumam demandar mais tempo e esforço voltados ao recrutamento e engajamento continuado dos cidadãos cientistas, especialmente de crianças. A depender do tempo disponibilizado pelas escolas para essas atividades, pode ser benéfico optar por protocolos mais simples.
No Cantoria de Quintal, por exemplo, o público realiza gravações de coaxos utilizando o Whatsapp e a localização também pode ser fornecida utilizando o próprio aplicativo, tornando o processo muito simples e rápido. Ah, e o mais importante: os protocolos devem, sempre, garantir a participação do público em segurança!
Por fim, mas não menos importante, as devolutivas são essenciais e devem ser contínuas:
Dica 6: Realize devolutivas continuamente
Iniciativas de Ciência Cidadã são coletivas, não são vias de mão única para obtenção de dados pelos pesquisadores. Assim, conforme as crianças interajam e enviem dados, é importante que entendam e acompanhem os progressos do projeto.
Para cada registro realizado, o Cantoria de Quintal informa aos estudantes aspectos básicos da espécie. Além disso, também é importante a realização de apresentações que sintetizem os avanços do projeto como um todo, como: número de registros, número de espécies, número de cidadãos cientistas, mapeamento dos registros.
Esse retorno deve ser constante e estar presente em todas as etapas. Assim, os cidadãos cientistas sentirão que, de fato, fazem parte do projeto.
Pensando no exemplo dos anfíbios e sua “má reputação”, informações adicionais e curiosidades ajudam também no processo de sensibilização ambiental. João nos enviou um áudio recebido através do projeto e um exemplo de devolutiva enviada por ele, que acompanham materiais complementares para que o cientista cidadão conheça a espécie que está registrando.
- Devolutiva do pesquisador João Victor
- Perereca-martelo, da espécie Boana faber em Congonhas | Crédito: João Victor Andrade de Lacerda
- Panelinha de barro da perereca da espécie Boana faber | Crédito: João Victor Andrade de Lacerda
Conheça mais sobre o projeto Cantoria de Quintal
O projeto tem como objetivo geral estimular o interesse da população por anfíbios, ciência e conservação, envolvendo o público em pesquisas de inventários ou monitoramento de anfíbios anuros no município de Santa Teresa (ES). Para isto, o projeto busca incluir cidadãos no processo de coleta de dados bioacústicos.
A partir dessas serenatas, os pesquisadores buscam desvendar quando e quais espécies estão cantando em cada quintal, dando início a um monitoramento acústico de sapos, rãs e pererecas. Como, infelizmente, não podem estar no quintal de todos, contam com a participação do público para juntos fazer ciência e conservação.
Cada espécie de sapo, perereca ou rã possui uma cantoria exclusiva. Assim, muitas vezes, não é preciso ver uma espécie para saber que ela ocorre numa dada região, basta ouvi-la cantar. Por isso, a contribuição é tão importante. A partir das gravações, é possível saber:
1) quais espécies ocorrem em Santa Teresa;
2) se essas espécies ocorrem em poucos ou muitos lugares do município;
3) quando cada uma dessas espécie está se reproduzindo.
Como participar
Nem precisa se aproximar muito, basta apontar seu celular para a cantoria do seu quintal, realizar 30 segundos de gravação e nos enviar via whatsapp para o número: +55 27 98115 6377
Equipamentos necessários
Gravador de áudio ou celular com gravação de áudio e com whatsapp instalado.
O episódio completo e demais episódios da série “Dicas do INCC”, você pode acessar através do Instagram: @inctcienciacidada.


