Participação do INCC no ECSA 2026 fortalece ciência cidadã brasileira no cenário global
Representantes do INCC compartilham experiências brasileiras e debatem desafios práticos da ciência cidadã na Finlândia. Veja como foi a participação no evento.
Curitiba, 17 de março de 2025, por Joana Giacomassa
No início do mês de março, membros e bolsistas do Instituto Nacional de Ciência Cidadã (INCC) marcaram presença na 6ª edição da Conferência da Associação Europeia de Ciência Cidadã (ECSA), em Oulu, na Finlândia. O evento é um dos mais relevantes fóruns globais dedicados à democratização da ciência e à participação pública na pesquisa.
A “delegação” brasileira no ECSA
Ao todo, o INCC levou seis pesquisadores para a conferência. Foram apresentados quatro pôsteres com temáticas que abrangem desde práticas locais de engajamento social e divulgação até o fortalecimento institucional e a capacitação teórica em ciência cidadã.
- Karen Sailer, coordenadora da Linha 5 do INCC, na Conferência ECSA 2026
- Julianna Toyota Arita em frente ao seu pôster “Exploring Citizen Science Engagement Strategies Across Social and Cultural Contexts in Brazil”
- Luca Schirru apresentando seu pôster na Conferência ECSA 2026
- Pedro Bravo e Natalia Pirani Ghilardi-Lopes em frente ao seu pôster na conferência
- Pôsteres brasileiros na Conferência da ECSA 2026
- Universidade de Oulu, Finlândia, 2026
Natalia Pirani Ghilardi-Lopes, vice-coordenadora do INCC e professora da Universidade Federal do ABC (UFABC), destaca que a experiência foi uma grande oportunidade de aprendizado e de trocas acadêmicas. No entanto, a bióloga também enxergou “um ponto de reflexão para os próprios europeus, porque temos muitas questões que são próprias do nosso contexto e que muitas vezes não são pensadas e refletidas por pesquisadores europeus”.
Criada em 2014, a ECSA tornou-se referência mundial no campo. O tema desta edição visava reduzir as desigualdades e fortalecer as diferentes realidades científicas ao redor do globo. Natália complementa que a presença de países de fora do eixo europeu traz inovação na forma de pensar infraestruturas e inclusão, sendo vital para “mostrar que também fazemos pesquisa de ponta e temos a contribuir com o campo para o avanço da ciência cidadã de maneira mundial”.
Representatividade e o Sul Global

Luca Schirru apresenta Workshop com o tema de desafios legais na Ciência Cidadã na era da Inteligência Artificial Generativa
A visão é compartilhada por Luca Schirru, pesquisador de pós-doutorado no INCC, que reforça o peso da participação nacional: “foi importante para fortalecer e dar maior visibilidade à representatividade não apenas da América Latina, mas também de países do Sul Global, que vêm produzindo ciência cidadã de excelência”. Diretor executivo no IBDAutoral, Luca ainda ministrou o workshop “Data management, harmonisation, ethics, and AI readiness in Citizen Science” e apresentou um pôster durante a programação.
Desafios globais e o “fazer” ciência cidadã
A experiência em Oulu também permitiu um olhar crítico sobre as semelhanças entre as pesquisas europeia e brasileira. Para Julianna Toyota Arita, bolsista do INCC, o intercâmbio revelou que certas dificuldades são universais: “Foi interessante perceber que, apesar das diferenças em infraestrutura, alguns problemas relacionados à qualidade de dados, à governança e à manutenção de engajamento persistem”.
Julianna notou que, assim como no Brasil, “a heterogeneidade cultural do continente como um todo torna necessário adaptar estratégias de engajamento dependendo da região ou do país”. No entanto, a pesquisadora pontuou uma lacuna: “Algo que não esperava era o grande foco das sessões em expor resultados de pesquisa, do que estimular o avanço da discussão da prática de fazer ciência cidadã, algo que senti falta”.
Produção científica em destaque
A participação do Instituto foi consolidada pela apresentação de quatro trabalhos que cobrem desde a revisão teórica até a aplicação prática em contextos sociais brasileiros:
- Exploring Citizen Science Engagement Strategies Across Social and Cultural Contexts in Brazil – Julianna Toyota Arita, Jeferson Coutinho, Blande Viana e Allan Yu Iwama.
- Citizen Science Beyond the Global North: The Role of the Brazilian Citizen Science Network (RBCC) in Decentralizing Knowledge and Practice – Natalia Pirani Ghilardi-Lopes, Pedro Bravo, Walter Eler do Couto, João Victor A. Lacerda, Juliana Silva França, Luana Rocha e Fabiana Oliveira da Silva.
- Citizen science and scientific dissemination: strategies and experiences of a national institute in Brazil – Karen Sailer Kletemberg, Joana Giacomassa, Luan Alves de Melo e Alice Lima.
- Training in Citizen Science: A Systematic Literature Review – Joselaine Setlik, Isabela Maria Seabra de Lima e Natalia Pirani Ghilardi-Lopes.
Intercâmbio para o futuro
Para Natalia, o encontro serve para “perceber que algumas coisas que são discutidas aqui são semelhantes às discussões que a gente vem tendo no Brasil e como podemos transportar essas discussões pro nosso contexto”.
A pesquisadora finaliza reforçando o impacto dessas trocas: “é interessante essa troca de ideias e experiências e como que isso pode depois inspirar novas práticas, novos projetos e publicações, novas produções na área da ciência cidadã”.
