Oportunidade para projetos de ciência cidadã: chamada pública destina R$ 6 milhões em recursos
Na segunda edição, o foco são iniciativas de síntese em biodiversidade e, pela primeira vez, a chamada inclui uma linha voltada à comunicação científica
Por Alice Lira Lima, com apoio de Joana Giacomassa, Karen Sailer e Luan Alves
Foto: Fernando da Costa Pinheiro
Como aproximar ciência e sociedade na busca de soluções para desafios ambientais urgentes? Essa é a proposta da segunda chamada aberta do Centro de Síntese em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (SinBiose), lançada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).
Aberta até 9 de outubro, a iniciativa destina R$ 6 milhões — mais que o dobro da edição anterior, de 2019 — para apoiar projetos de síntese em biodiversidade e, pela primeira vez, também de comunicação científica.
O SinBiose é um programa do CNPq voltado à “ciência de síntese”, que busca a integração de diferentes bases de dados, saberes e disciplinas para produzir conhecimento original e útil à sociedade.
Oportunidades para a ciência cidadã
A bióloga, agrônoma e doutora em ecologia Blandina Felipe Viana, “Blande”, que é coordenadora da Linha 1 (Coprodução e Engajamento Social em Iniciativas de Ciência Cidadã) do Instituto Nacional de Ciência Cidadã (INCC), coordenadora, cofundadora e membro da Rede Brasileira de Ciência Cidadã (RBCC), explica que projetos de ciência cidadã estão especialmente alinhados ao perfil da chamada, pois já nascem com uma característica interdisciplinar e transdisciplinar.
“Isso porque elas já conectam diferentes áreas do conhecimento científico-acadêmico com outros saberes e experiências não acadêmicos, engajando atores sociais como sujeitos do processo de produção do conhecimento, e não apenas como objetos de estudo”, explica Blande.
Ela ressalta que é importante que as propostas destaquem o potencial da ciência cidadã principalmente nos seguintes aspectos:
–Aproximação entre ciência e sociedade para a geração de conhecimentos úteis e transformadores;
–As metodologias inovadoras que serão empregadas para o engajamento social e a integração da ciência acadêmica com outras formas de conhecimento;
–Produção da síntese: como a ciência cidadã pode favorecer o desenvolvimento de estratégias e/ou ferramentas abertas, acessíveis e aplicáveis à tomada de decisão;
–De que forma os resultados das sínteses propostas irão contribuir para resolução de problemas e/ou formulação de políticas públicas.
A pesquisadora do INCC reforça ainda o papel estratégico de chamadas como essa no cenário científico nacional. “Chamadas desse tipo têm um papel muito importante dentro da política científica e tecnológica brasileira, pois reconhecem que a ciência não se faz apenas dentro de ambientes acadêmicos, entre pares, mas também em diálogo com a sociedade”, complementa Blandina.
Ela acrescenta que essas chamadas oferecem oportunidades reais para iniciativas de ciência cidadã se estruturarem, se manterem e ganharem escala e impacto, com a formação de redes de colaboração e conexões entre grupos acadêmicos e não acadêmicos, por exemplo. “Em suma, funcionam como catalisadores que transformam boas ideias em resultados concretos para ciência e sociedade”, finaliza.
Saiba mais sobre a chamada
Recursos: R$ 6 milhões (R$ 5,6 milhões do CNPq + R$ 400 mil do MMA; com possibilidade de aporte adicional das FAPs estaduais).
Linhas de apoio
– Projetos de síntese de conhecimento: até R$ 700 mil por proposta (R$ 400 mil em custeio/capital + R$ 300 mil em bolsas DTI).
– Projeto de comunicação científica: até R$ 400 mil por proposta (R$ 200 mil em custeio/capital + R$ 200 mil em bolsas ADC e DTI).
Restrições
O capital não pode ultrapassar 5% do valor global.
Apoio adicional: Fundações de Amparo à Pesquisa de sete estados já aderiram (Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco e Piauí). Outras FAPs poderão se somar.
Prazo de submissão: até 9 de outubro de 2025.
Experiência da primeira edição
Em 2019, a primeira chamada do SinBiose investiu R$ 2,7 milhões em sete projetos. Os resultados incluem a criação de bases de dados inéditas, como Taoca (dados ecológicos da Amazônia), Redes Socioecológicas (mamíferos e zoonoses) e Trajetórias (dados ambientais, epidemiológicos e econômicos da Amazônia). Também foram publicados 37 artigos em periódicos de alto impacto e uma série de Policy Briefs com mensagens-chave para apoiar políticas públicas.
Acesse aqui a página da Chamada CNPq/MMA/CONFAP/FAPs Nº 15/2025 – SinBiose.
